"Enxergue sua vida como um profissional de marketing enxergaria uma empresa ou um produto. De tempos em tempos será necessário rever sua estratégia para não ficar obsoleto e perder mercado." Mário Persona

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Análise crítica do filme: Tudo Pela Fama

Do ponto de vista da comunicação, o filme explora e retrata bem a manipulação de imagem através do poder dos veículos de comunicação. As personagens se mantêm o tempo todo fazendo com que sua imagem seja aquela com a qual o público se identifique, consequentemente elevando o status. Todos na trama fazem de tudo para manter suas posições de “super stars”, até mesmo dar sua vida, talvez, digamos assim, para que sua imagem se eternize, chegue ao ápice. Para que eles fossem aclamados pelo público, seus agentes se utilizavam de estratégias para que suas imagens correspondessem às expectativas do povo. Ou seja, o que as pessoas mais gostam de ver, o que as emocionam, o que as fazem querer vê-los na mídia? Faziam um branding com o nome daquelas pessoas e as vendiam, literalmente. O que mais assusta e que me faz perceber que muitas vezes isso ocorre, é que o público realmente reagia às artimanhas utilizadas e aclamava ainda mais seus ídolos, independente se a ação a qual reagiam era conseqüência de uma desgraça alheia ou não. Mas o filme deixa algumas reflexões: até que ponto é saudável querer ser famoso? A qualquer custo? Passando por cima de seus princípios, de seus valores? Custe o que custar? Será que tudo tem seu preço? A fama parece que sim.

Um comentário:

  1. Marcelo Nogueira da Silva31 de agosto de 2010 às 04:12

    Bem, primeiramente cumprimento-lhe pelo alto nível das suas postagens no seu blog e de quanto é sensível esta questão no cotidiano. Tomei a liberdade de usar seu blog para expôr meu ponto de vista sobre esta questão também, assim como tu, este tipo de comportamento de membros da atual ordem social me levam a várias reflexões. Atualmente, noto que a sociedade cotidiana está sofrendo uma metamorfose axiológica. Vários fatores contribuem para que tal metamorfose ocorra, tais como o advento relâmpago da internet e do galopante processo de globalização que deu-se no mundo, principalmente pós queda do Muro de Berlim. No Brasil, a sociedade no pós-ditadura militar e com a chamada "constituição cidadã" de 1988, abarcaram um estado de praticamente "amplas e irrestritas" liberdades. O que era tido como "feio" e imoral, muitas vezes reprimido por quem queria demonstrar a uma grande coletividade, nos dias de hoje vem sendo sucesso de audiência. E o que isto influencia na busca desesperada e desmedida pela fama? Muito. Exemplifico pela própria música. Os ídolos que levantaram multidões, os quais foram a trilha sonora de muitas histórias de amor, eram descobertos e devidamente "idolatrados" nos grandes festivais de música, tais como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, dentre vários outros desta época. Acordes bem montados, melodias ricas e canções ora de amor, ora de ordem, eram legitimadas como "sucesso do momento". Ou seja, a crítica musical não contemplava o "ridículo", o vulgar e o escrachado, embora o bom humor e a irreverência serem marcas do povo brasileiro desde os tempos do Império. E hoje? Aguardamos sempre o "próximo verão" para ver qual é a piada nova em forma de sucesso musical. Este comportamento coletivo acaba por irradiar sobre alguns membros da sociedade a real possibilidade de vendagens de milhares cds a qual dá alto retorno financeiro e com isso vem a fama. Consequencia disto vem a ultrapassagem das barreiras da exposição ao ridículo em detrimento de um sucesso que sabedouramente é instantâneo. Sem mais divagações (rsrs) passo a responder de forma mais objetiva seu questionamento. A banalização da imagem pela própria mídia, a qual nasce do próprio momento histórico e cultural da sociedade, vem a contemplar este tipo de comportamento,vindo a verdadeiramente inverter esta ordem de valores, tais como a preservação da imagem e intimidade pela exposição desmedida sendo esta muito bem recompensada pelas voluptuosas cifras. A busca pelo novo todos os dias, em que o novo de hoje já é o ultrapassado e o antiquado de daqui a dois meses, torna a sociedade mais tolerante a qualquer tipo de exposição, bem como ela própria faz tolerar os mais tipos sórdidos de comportamento, e não raras vezes, absolver aqueles que fogem de preceitos éticos históricos, vindo a tornar cada vez mais presente a máxima de Maquiavel que "Os fins justificam os meios". Por fim opino que sem dúvida, discordo dos padrões axiológicos atuais, porém, encontro a explicação nestas singelas análises sociais.

    Muito obrigado pelo espaço.

    Marcelo Nogueira da Silva - Oficial da Brigada Militar

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